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Melancolia! Teoria Psicanalítica.

Melancolia! Teoria Psicanalítica.

Utilizando-se dos apontamentos sobre o luto, amplia-se a teoria sobre a melancolia, na qual o principio base é a perda do objeto amado, só que não necessariamente esse objeto morreu como ocorre no processo de luto normal. Na melancolia essa perda pode ser de natureza ideal.

“A melancolia está de alguma forma relacionada a uma perda objetal retirada da consciência , em contraposição ao luto, no qual nada existe de inconsciente a respeito da perda”. (FREUD, 1915).

Portanto podemos supor que o sujeito que está numa condição melancólica pode não saber o que perdeu, ou estar ciente do que (enquanto objeto concreto) perdeu, mas não saber o que perdeu nesse objeto.

No luto verifica-se uma perda de interesse explicável, pois é sabido o que foi perdido. Já na melancolia há uma perda desconhecida, um enigma a ser desvendado.

O discurso do melancólico é contextualizado de autodegradação, autopunição, o melancólico se coloca como um ser incapaz e moralmente desprezível. Suas queixas são recorrentes, como se ele tivesse perdido seu amor próprio.

No estado de luto, é como se o mundo se tornasse pobre e vazio. No estado melancólico, é o próprio ego que está desprovido, sendo assim torna-se entendível a autocrítica dos melancólicos, os quais não ocultam ou se envergonham em pontuar seus defeitos e seu desprezo por si.

Esse processo diz respeito ao aspecto das emoções, sentimentos que nos envolvem como um todo, possuímos uma energia psíquica denominada como energia da libido, que nos promove como seres capacidade de amar.

Em um dado momento de nossa vida há uma escolha objetal, uma união desta energia da libido a uma pessoa escolhida, mas que por alguma frustração vinda desse objeto amado, a relação objetal é destruída, e por algum motivo a libido retirada desse objeto não se desloca para um novo objeto, como acontece no luto, mas, na melancolia, essa energia se volta para o próprio ego do sujeito, constituindo uma identificação entre o ego e o objeto abandonado.

“Resulta daí que o objeto perdido e o ego, em um processo que lembra o fenômeno da osmose, confundem-se entre si de tal sorte que o destino de um passa a ser o destino do outro”. (ZIMERMAN, 1999).

Assim sendo a perda objetal se converte em uma perda do ego, devido à existência de uma fixação no objeto amado, o objeto perdido e o ego, composto por sentimentos mistos, ou seja, afetuosos e hostis. A auto-estima do melancólico fica comprometida, pois parte de seu eu contem sentimentos que ele abomina, dentre eles o abandono. (HOLMES, 2005).

Uma escolha feita nas primeiras fases da vida psíquica podem promover um estado de melancolia. Algo do presente que remete a algo do passado faz com que o sujeito regrida a uma perda primordial ao qual o mesmo não conseguiu superar, apontando assim à constatação de um tempo atemporal.

É um tempo determinado pelo inconsciente que é povoado de representações internas do sujeito. Um tempo que está aquém do tempo real, cronológico, que é determinado pelo estado afetivo do sujeito, um tempo que parou no tempo. Um tempo onde o transitório não se faz presente.

O que se faz presente é o desejo de permanência, de estender o tempo, de manter-se apegado aos objetos de amor, na idealização de controle dos mesmos. A dificuldade em viver o que se apresenta no momento oportuno seja a despedida do conhecido ou a chegada do novo.

Desejo que possamos chorar sem nos lamentar, de sofrer sem nos culpar, de celebrar o novo sem nos antecipar ao luto que será inevitavelmente evidente, mas não necessariamente tenha que ser permanente.

 

Lucimara Cadorini

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