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TRAUMA

TRAUMA

 

              Trauma, segundo Laplanche e Pontalis (2001), descreve como “acontecimento da vida do sujeito que se define pela sua intensidade, pela incapacidade em que se encontra o sujeito de reagir a ele de forma adequada, pelo transtorno e pelos efeitos patogênicos duradouros que provoca na organização psíquica. Em termos econômicos, o traumatismo caracteriza-se por um afluxo de excitações que é excessivo em relação à tolerância do sujeito e à sua capacidade de dominar e de elaborar psiquicamente estas excitações”.( Laplanche e Pontalis, 2001,pg. 522)

De tal maneira o que pode ser traumático para um sujeito, não necessariamente será para outro que tenha capacidade de tolerar o acontecimento e elabora-lo psiquicamente, acolhê-lo em sua rede simbólica.

O conhecimento do conceito de Trauma, foi introduzido por Freud com as obras “Para Além do princípio do Prazer” (1920) e “Moises e o Monoteísmo” (1939) Segundo Freud, a experiência traumática põe fora de combate o princípio do prazer, sendo experiências intensas, violentas que rompem a barreira de proteção mobilizando todos os meios de defesas. Neste sentido Freud evidencia o modo paralisante da dor e o empobrecimento dos mecanismos internos de defesa, enfatizando a noção de carga excessiva, a qual o aparelho psíquico não estaria apto a receber.

Muitos autores descrevem o trauma psíquico como uma espécie de ferida, uma ruptura, no aparato psíquico. Ferida esta que se da quando o impacto provocado pela carga emocional excessiva “trauma”, é superior aos mecanismos de defesa do sujeito, portanto as defesas não conseguem assegurar o equilíbrio psíquico anterior, deixando o sujeito com uma cissão aberta após a descarga emocional. Este desequilíbrio do ego esta associada ao momento de vida em que ocorrem, bem como ao nível estrutural psíquico do sujeito.

“Eu sou a desintegração” (Frida Kahlo).

Segundo Cyrulnik ( 2001) Um mesmo acontecimento nem sempre terá as mesmas consequências, uma vez que durante toda a nossa vida crescemos, envelhecemos e aprimoramos nosso repertório interno. Portanto os traumas são sempre desiguais, uma vez que podem ocorrer em diferentes momentos da vida, sobre construções e estruturas psíquicas também diferentes.

   “A estrutura do trauma participa do sentido que se atribui a ele”.                               (Cyrulnik, 2009, pg. 39)

                      Portanto Costa (2007) Nos convida e refletir sobre crianças em idade precoce que tem medos/pesadelos, e, no entanto o que as invade não é a realidade desses medos, mas sua falta de preparação pela imaturidade do seu aparelho psíquico, para pensar sobre estes medos internos, ter o conhecimento de pensar a dor, nome ala, o medo do desconhecido, em que ainda devido seu aparato psíquico não pode ser por elas pensado elaborado e transformado.

 “A sempre algo de ausente que me atormenta” (Camille Cludet)

                       É notável que os efeitos dos traumas diferem segundo as reações familiares, as instituições e os mitos. Mas uma regulação vem átona: quão mais desorganizada for à reação social, mais marcante serão os distúrbios, a negligência impede o trabalho de resiliência. A negligência afetiva de algumas famílias, a negligência institucional que não provê ajuda médica, psicológica ou financeira, a negligencia social que abandona os seus, por acreditar que estes não tem mais valor. Todos estes abandonos submetem uma parte da população a viverem às margens do social.

                         “É possível morrer mais de uma vez em vida” (Coco Chanel)

Não se trata de estabelecer uma relação de dose-efeito. Mas podemos pensar que a probabilidade de surgimento de distúrbios será tanto maior quando o trauma for inter-humano, intencional e duradouro. Ao se tratar de uma criança que sofreu um trauma insidioso gerará um trauma desenvolvimental, uma ferida invisível que a tornara hipersensível a determinado tipo de acontecimento. Não tendo o acolhimento devido, impossibilitadas de adquirirem a autoconfiança devida muitas vezes estarem expostas ao discurso cultural agravando a dilaceração e estigmatizando-as. (Cyrulnik, 2009).

Prode-se-ia dizer então que, quanto menos capacidade de atribuição significante a acontecimentos internos e externos o sujeito estiver desprovido, quanto mais precária for esta estrutura psíquica, mais traumatizante será o contato com tais eventos.                                                                                  Lucimara Cadorini

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